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Madame Bovary (2015)

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20151h 59min

 

🎬 Madame Bovary (2014)

Direção: Sophie Barthes
Elenco: Mia Wasikowska, Ezra Miller, Rhys Ifans, Paul Giamatti

📖 Sinopse padrão do filme

Ambientado na França do século XIX, Madame Bovary conta a história de Emma Bovary, uma jovem bela e sonhadora que se casa com o médico rural Charles Bovary. Ao se deparar com a monotonia da vida provinciana e o tédio do casamento, Emma mergulha em romances extraconjugais e em gastos extravagantes, numa tentativa desesperada de viver as paixões e o luxo que idealizou a partir de romances românticos. À medida que sua vida emocional e financeira entra em colapso, Emma enfrenta consequências devastadoras.

🧠 Análise psicanalítica e de saúde mental

A personagem Emma Bovary é um retrato fascinante e trágico da neurose histérica, das ilusões do desejo e das dinâmicas inconscientes da insatisfação.

🔍 O desejo como estrutura

Emma é marcada por uma insatisfação estrutural. Desde jovem, alimenta-se de romances que prometem uma existência de paixão e plenitude — idealizações que nunca se concretizam na realidade. Para a psicanálise lacaniana, isso exemplifica como o desejo nunca é do objeto em si, mas do desejo do Outro. Emma deseja ser desejada — mas não pelo marido presente e previsível — e sim por figuras que encarnem a promessa do sublime. Ela busca, sem cessar, o objeto a, o objeto-causa do desejo, mas sempre fracassa ao alcançá-lo.

💔 O casamento como prisão simbólica

Charles Bovary representa o sujeito “normal”, funcional, mas também inerte — o homem incapaz de escutar o desejo da mulher. O casamento, para Emma, torna-se uma experiência claustrofóbica, na qual a rotina e a previsibilidade simbolizam a morte do desejo. Freud já apontava que o desejo reprimido encontra vias indiretas de expressão — no caso de Emma, isso se manifesta em fantasias românticas, traições e compulsão por consumo.

🛍️ A compulsão como sintoma

Emma gasta desenfreadamente — roupas, móveis, objetos de luxo. O consumo é um substituto para o amor, para o reconhecimento, para o gozo que lhe escapa. Esse comportamento compulsivo pode ser lido como um acting out — uma forma de dramatizar o sofrimento psíquico. O acúmulo de dívidas é, ao mesmo tempo, um grito inconsciente por ajuda e uma autossabotagem.

🫥 Depressão e melancolia

Com o passar do tempo, Emma mergulha em um estado que Freud descreveria como melancolia — onde o sujeito não apenas perde o objeto amado, mas introjeta essa perda como parte de si, odiando-se por isso. O sentimento de vazio, a sensação de fracasso e a impossibilidade de simbolizar seu sofrimento a levam à autoaniquilação — o suicídio com arsênico não é apenas uma saída desesperada, mas um gesto trágico de destruição de um eu que já não encontra sentido no mundo.

🧵 Conclusão psicanalítica

“Madame Bovary” é um estudo doloroso da fantasia feminina, da alienação do desejo e do fracasso da linguagem em conter o real do gozo. Emma não é apenas uma mulher adúltera ou fútil — ela é um sujeito dividido, que tenta preencher com romantismo e consumo um vazio que é estrutural, ontológico. Sua tragédia é a tragédia de todos que confundem o ideal com o real, o desejo com o objeto.

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